Normalização

Especialista detalha diretrizes da Norma Internacional de Responsabilidade Social

As diretrizes da Norma Internacional de Responsabilidade Social, a ISO 26000, foram detalhadas no passado dia 8 de maio por um dos seus criadores, Jorge Emanuel Reis Cajazeira, durante uma palestra no  Edifício Casa da Indústria, em Campo Grande, Brasil. Promovida pelo Cores (Conselho Temático Permanente de Responsabilidade Social) da Fiems, a palestra reuniu empresários de diversos setores e estudantes, para demonstrar a aplicabilidade da Norma a todos os tipos e portes de organizações, incluindo Governo, ONGs e empresas.

Jorge Cajazeira tratou das principais orientações da ISO 26000 e falou da importância da aplicação dos princípios da sustentabilidade no mundo corporativo. “As empresas que prestam atenção e tem cuidado com o impacto de suas decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente, por meio de um comportamento transparente e ético, têm responsabilidade social, qualidade imprescindível para obter o equilíbrio ambiental e ecológico”, disse.

Por causa das modificações sociais e também a mudança das profissões em uma velocidade intensa houve uma alteração nos padrões da sociedade e na maneira de viver. “Isso acarretou uma reação nas empresas de modo que a questão ética e social passou a afetar mais o seu desenvolvimento do que a questão financeira”, afirmou ele, acrescentando que muitas empresas utilizavam a palavra sustentabilidade de modo indevido.

O especialista explica ainda que a norma é um guia de orientação para as empresas, com foco em gestão. “O objetivo é difundir o conceito para que as empresas possam compreendê-lo e, por fim, aplicá-lo”, disse Jorge Cajazeira, que é doutor e mestre em Administração de Empresas pela FGV-EAESP e, atualmente, ocupa o cargo de diretor de relações institucionais da Suzano Papel e Celulose, além de ser presidente do Sindicato Patronal das Indústrias de Papel e Celulose da Bahia e presidente mundial da ISO 26000.

Visão

Durante a abertura da palestra, o presidente da Fiems, Sérgio Longen, destacou a importância de desmistificar o conceito da responsabilidade social, que muitas vezes é confundido com a ação social. Ele afirmou ainda que com a prorrogação dos incentivos fiscais até 31 de dezembro de 2028, os empresários passam a contar com benefícios que podem aumentar em até 5% por meio de laudo técnico expedido pelo Senai, atestando a exigência e a efetividade do plano de sustentabilidade ambiental. “As indústrias passam a integrar um programa de gestão sócio-ambiental e recebem pontuação quanto aos aspectos relativos à preservação ambiental”, declarou.

Sérgio Longen sugeriu ao orador que seja criado um relatório das empresas que aderiram à norma, já que elas não estão sendo certificadas e também para que a sociedade possa ter conhecimento de quem está atendendo as diretrizes estabelecidas. Para o presidente do Cores da Fiems, Julião Flaves Gaúna, a visão da responsabilidade social empresarial no Brasil mudou e hoje a norma internacional convida a sociedade a um novo comportamento. “Nós vamos caminhar nessa direção. Queremos alinhar os trabalhos do Conselho para colocar este tema no planeamento estratégico das empresas, no seu DNA, pois só assim teremos legitimidade na busca da sustentabilidade económica, social, ambiental e cultural dos negócios”, ressaltou.

De acordo com o deputado estadual e presidente da Comissão de Turismo, Indústria e Comércio da Assembleia Legislativa, Paulo Corrêa, ao reunir estudantes e empresários para discutir essa temática, a Fiems mostra sua preocupação em levar o conhecimento a todos os setores e incentiva a colocar em prática essa questão. “Foi importante ouvir o Jorge Cajazeira, porque foi ele quem conseguiu reunir uma gama de setores para poder construir essa norma e as empresas devem se atentar para ter uma gestão que busque o desenvolvimento sustentável”, falou.

A diretora-executiva da Verde Azul Sustentabilidade e Inovação, Cláudia Borges, acredita que algumas empresas tem tido iniciativas, mas não conseguem dar continuidade a elas e outras confundem o conceito com ação social ou filantropia, sendo necessário dar a elas uma visão mais sistemática do real conceito e como colocar em prática. “A mudança de pensamento deve vir principalmente do dirigente da empresa. Ele deve acreditar que é possível fazer negócio de forma diferenciada, tornando a responsabilidade social como parte integrante do planejamento estratégico”, avaliou.

Já a presidente da empresa júnior Click, Ivana Pompeu, afirma que o empresário deve ter em mente que a temática envolve uma forma de melhorar os negócios. “A preocupação com a responsabilidade social torna a gestão mais transparente e também é fundamental para construir um país mais sustentável”, ponderou.

Saiba mais sobre o tema aqui.

 

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